Cooperativas querem 10% do setor financeiro

Modelo que nasceu no meio rural representa hoje 2% do mercado no Brasil, mas quer multiplicar essa participação com profissionalização e oferta de serviços em grandes cidades.

As cooperativas de crédito do Brasil entraram em um movimento de crescimento acelerado e querem aumentar sua participação no mercado. Hoje, elas representam 2% do sistema financeiro brasileiro e a meta é chegar a 10% em no máximo dez anos. Segundo a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), essa expansão conta com um empurrão do Banco Central, que vê com bons olhos o aumento na competição entre bancos e cooperativas.

Nos últimos cinco anos, houve um salto no porte do crédito cooperativo. O número de pessoas associadas a alguma das mais de 1,4 mil instituições do setor pulou de 1,6 milhão em 2004 para 4,2 milhões em 2008. Os ativos administrados pelo segmento aumentaram 141% no mesmo período, para R$ 44,5 bilhões, enquanto as operações de crédito subiram 175%, para R$ 21,8 bilhões, mais do que os 145% de crescimento do total do mercado financeiro.

Por trás do salto das cooperativas existem dois movimentos que se reforçam. As instituições do setor têm interesse em ganhar escala para manter baixos os preços de seus serviços e taxas de juros, o que as levou a consolidar um modelo em que parte da estrutura de atendimento é mantida em cooperativas centrais com abrangência nacional – as três principais são o Sicoob, Sicredi e Unicred. Ao mesmo tempo, o BC tem relaxado as restrições para o setor. O avanço mais importante ocorreu em 2003, quando foi permitida a criação de cooperativas de livre admissão, ou seja, abertas para qualquer pessoa, independentemente de fazer parte de uma categoria profissional.

O interesse do BC está na capacidade que as cooperativas têm em oferecer preços mais baixos do que os bancos comerciais. Um estudo da OCB feito no começo deste ano mostrava que a taxa de juros nesse sistema era 2,6% ao mês menores do que nos bancos em 2008. Para entrar em uma instituição des­­se tipo, a pessoa ou empresa pre­­cisa comprar cotas de participação que dão direito a usar os serviços que vão de empréstimos simples a produtos sofisticados, como cartão de crédito e talões de cheques – o Sicredi e o Sicoob abriram bancos para essas operações.

Fonte: OCB (Gazeta do Povo – Paraná)
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