Taxa menor leva cliente de banco para cooperativa
Somente entre 2006 e 2008, 1 milhão de pessoas ingressaram em uma cooperativa de crédito. Ao final do último balanço, eram, ao todo, 4,2 milhões de cooperados, contra apenas 1,6 milhão em 2002
Jaires Gomes migrou de banco para cooperativa em busca de taxas menores
Cansado de ser mal atendido nos bancos tradicionais, enfrentar filas nas agências e ainda pagar caro para manter uma conta corrente ou adquirir um empréstimo, o contador Jaires de Souza Gomes transferiu praticamente toda sua movimentação financeira para uma cooperativa de crédito. Atualmente, dois anos após a associação à instituição formada por membros de sua categoria profissional, ele garante não ter se arrependido. "Estou bastante satisfeito, especialmente pelo atendimento, que é mais individualizado. As taxas de juros também são mais interessantes, e as tarifas mais baixas", avalia. Ele observa que não sabe de cor os valores que paga, mas afirma que, sempre que faz uma pesquisa, se certifica de que gasta menos na cooperativa. Assim como Gomes, milhares de outros brasileiros estão fazendo essa mesma comparação. E optando pelas vantagens dessas associações sem fins lucrativos.
Somente entre 2006 e 2008, 1 milhão de pessoas ingressaram em uma cooperativa de crédito. Ao final do último balanço, eram, ao todo, 4,2 milhões de cooperados, contra apenas 1,6 milhão em 2002. A carteira de crédito chegou a R$ 22,4 bilhões em junho do ano passado. O montante é 34,8% maior que o registrado em janeiro de 2008. Os depósitos também apresentam expansão desde 2004, chegando a R$ 21,4 bilhões ao final do segundo semestre de 2009. "A procura pelo crédito por meio das cooperativas tem mantido um ritmo de crescimento constante nos últimos anos. Os juros bem abaixo da média do mercado ainda são o principal atrativo. Hoje é possível encontrar diferenças entre as taxas das cooperativas e dos bancos tradicionais que vão de 20% a 60% ao mês, dependendo do tipo de empréstimo", afirma o especialista em Crédito da Organização das cooperativas do Brasil (OCB), Sílvio Giusti.
Para dar uma ideia da distorção, ele cita um estudo da entidade, realizado no final de 2008, que mostra que a taxa média praticada pelas cooperativas no empréstimo pessoal era de 2,3% ao mês, enquanto os grandes bancos cobravam 5,6%. No cheque especial, os juros para o cooperados eram de 6,5% contra 7,9% dos clientes bancários. A taxa mensal do cartão de crédito estava em 6%. Para os banqueiros, os consumidores pagavam 12%, em média. O ranking do Banco Central, de dezembro do ano passado, comprova a grande diferença entre os valores das cooperativas e as demais instituições financeiras. As taxas do Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob), cujo controle acionário pertence a 14 cooperativas centrais de crédito, só não são menores que as dos pequenos bancos. Em relação aos demais, elas ganham de longe.
Outro atrativo é o atendimento mais personalizado e o fato de exigirem menos garantias para liberar o crédito. Até porque, além de conhecerem bem a população com a qual atuam, os cooperados são os próprios donos da cooperativa. Giusti acrescenta que o papel da cooperativa é ter o dinheiro na hora em que o associado precisa. Postura que contribuiu para o maior crescimento do setor a partir do segundo semestre de 2008. "Com a retração do crédito no mercado, após o início da crise financeira, as cooperativas passaram a ser mais procuradas. Já estavam crescendo. Com esse vazio, passaram a ser a alternativa de crédito. Daí o grande salto na carteira", observa. A inadimplência se manteve sob controle, no patamar de 1,83%.
A partir daí, o sistema aproveitou para avançar. "O brasileiro agora está conhecendo realmente o cooperativismo de crédito, que é forte em outros países do mundo, como os europeus. Estão percebendo os diferenciais em relação aos grandes bancos. Os serviços são os mesmos, com o custo mais baixo.
Ele explica que, como não visa ao lucro, a cooperativa não pratica altos spreads (diferença entre taxa de captação e de empréstimo), o que se reverte em favor do bolso do consumidor. "No final, eles são beneficiados em dobro, pois pagam juros menores que a média do mercado e ainda recebem de volta parte do que pagaram", completa. Para o auditor fiscal Francisco Lourenço Dias, essa é uma das principais vantagens em ser um cooperado. "Considero a cooperativa melhor que os bancos tradicionais em todos os aspectos: atendimento, rapidez, taxas de juros, tarifas. E maior benefício é que parte do lucro vai para a cota do associado, especialmente para quem utiliza mais os serviços. Atualmente, eu só tenho conta em outro banco porque sou obrigado, para receber o salário. Se o contracheque também pudesse ir para a cooperativa seria o ideal", ressalta.
Dias conta que utiliza tanto as aplicações oferecidas pela instituição quanto as opções de empréstimos. "E a liberação do dinheiro é bem mais rápida e barata. Para o sítio que comprei há alguns anos, peguei o recurso na cooperativa, pagando em 30 vezes", reforça.
Fonte: Hoje em Dia – matéria parcial – 17/01/2010